terça-feira, 4 de novembro de 2008

As Arraias de Água Doce

Existem 3 gêneros de arraias de água doce, diferenciadas pelo número de raios peitorais: Plesiotrygon (80), Potamotrygon (95) e Paratrygon (110), com cerca de 20 espécies no total. As mais encontradas tanto nos rios quanto à venda no Brasil são as Potamotrygon. Quatro espécies desse gênero são comercializadas em grandes quantidades. As do gênero Paratrygon são conhecidas também como arraias de antena.
Em alguns países do mundo é comum se apresentar o gênero Dasyatis, cujas espécies habitam água salobra, como raias de água doce. Muitos animais destas regiões que possuem cerca de 1/4 de água salgada e o restante doce realmente sobrevivem em água doce, porém não se pode assumir que elas sobreviverão em boas condições, nem que elas não sofrerão restrição de tempo de vida por causa disso. Apesar da baixa possibilidade de se encontrar animais deste gênero no Brasil, é importante se assegurar da espécie adquirida.
No Rio Negro, um dos rios da Bacia Amazônica onde vivem as espécies mais encontradas em cativeiro e de mais fácil manutenção (como a P. motoro) vivem em águas bem ácidas (chegando a extremos como pH 5.0!) com fundo lodoso e rico em folhas em decomposição. Já as arraias asiáticas (como a P. 58, a arraia chinesa, e a raia de bolas brancas, P. leopoldi) preferem uma água dura e básica, mas vivem em rios com composição do fundo semelhante.

Escolhendo sua Arraia

Na compra, é necessário atentar para diversos fatores como:
A espécie que se esta adquirindo, que influi também na dificuldade de manutenção;
A atividade do animal, já que o exemplar saudável costuma ser ativo, vasculha o aquário e tateia os objetos, nadando em todos os níveis;
A alimentação - é interessante assegurar-se deste ítem pedindo para ver o animal comendo;
As condições onde o animal está acondicionado, que influi na possibilidade de se estar carregando doenças da loja para sua casa ou de adquirir um animal doente.
O inevitável stress do envio pode afetar a atividade, cores ou comportamento, porém elas nunca devem:
Apresentar as bordas do disco constantemente elevadas. Se ela elevar apenas uma vez é um costume normal, como se espreguiçar. Caso surjam dúvidas, apenas faça o animal se movimentar, caso ela retorne ao repouso e tome esta posição novamente, este é provavelmente um animal em péssimo estado. Este hábito indica a death curl, uma doença de causa desconhecida e mortal;
Muco leitoso ou opaco cobrindo o corpo do animal;
Respiração excessivamente rápida, um pouco difícil de analisar sem outros animais por perto.

O Aquário para Arraias

No aquário definitivo, é importante uma profundidade de pelo menos uns 50 cm, para que o animal possa se movimentar com mais desenvoltura, com a máxima superfície livre possível. Lembrando que um exemplar adulto atinge entre 30 cm e 1 metro ou mais de diâmetro, dependendo da espécie, o tamanho do aquário deve variar de acordo, recomendando-se no mínimo 400 litros. O tamanho do tanque não influenciará no tamanho adulto do animal. Se colocado em um aquário pequeno demais, ele irá apenas crescer um pouco, estressar e morrer antes de atingir o desenvolvimento pleno. Não compre um animal destes sem ter uma montagem adequada para a sua manutenção!
O tanque de um animal desse porte deve ser extremamente bem planejado, com pouca ou nenhuma decoração de fundo, mesmo porque será inútil plantar (já que o animal facilmente arrancará e remodelará o tanque) e pedras apenas irão reduzir o espaço para o animal. Uma boa opção é a utilização de plantas flutuantes mantidas juntas num canto do aquário por canos flutuantes, fornecendo sombra.
O substrato é um ponto importante: nunca use areia comum: os grãos de areia irão cortar as guelras dos peixes enquanto elas estiverem enterradas podendo levar a morte (elas são de ambientes lodosos, não arenosos). O ideal seria a areia conhecida como silk sand, dificílima de se encontrar no Brasil (e lá fora também), cascalho fino, ou nenhum substrato. No caso de um tanque sem substrato, pode-se manter a água ácida ou básica usando-se no filtro um pedaço de tronco ou um pacote de conchas ou pedras calcáreas.
É possível plantar apenas nos cantos do aquário de forma que o meio do aquario permaneça livre. Deve-se trocar muita água constantemente (semanalmente é o ideal) para simular a troca constante que ocorre em função das chuvas, que muitas vezes são diárias. O aquecedor precisa ser bem protegido para que o animal não acabe se queimando ao explorar o ambiente, o que pode ser feito com um tubo de PVC todo perfurado para permitir a circulação da água, associado com uma bomba submersa para garantir um fluxo de água adequado, não formando uma "ilha" de calor apenas na região próxima ao aquecedor/termostato.
A iluminação deve ser reduzida (a quantidade de luz que penetra até o fundo do habitat natural desses animais é muito pequena) o que é outro impedimento para a plantagem, e filtração muito eficiente. Canisters como o Fluval, wet/dry ou filtros com sump de bom porte são imprescindíveis, pois eles são bem "porcos" se alimentando, o que gera enorme carga de metabólitos, requisitando uma filtragem biológica eficiente.

Companheiros

O ideal é um tanque apenas para a espécie ou companheiros igualmente gigantes como aruanãs, oscars ou cascudos. Se este último tiver mais de 30 cm, deve ser mantido apenas com raias de disco "duro" como a P. motoro. Caso contrário o cascudo pode grudar no disco e aborrecer o animal, comendo parte dela já que grande parte dos Loricarídeos são oportunistas e preferem carcaças a algas, ao contrário do senso comum). Qualquer peixe pequeno o bastante será devorado (e nem precisa ser tão pequeno assim).
Muito cuidado com os aruanãs. O prateado e o negro, nativos do Brasil (Osteoglossum bicirrhosum e O. ferreirae respectivamente) são os mais calmos da família e em geral vivem sem problemas com as arraias, mas os aruanãs da Ásia e Oceania (Scleropages sp.) são muito mais agressivos e não são bons companheiros por viverem mais no fundo. Existem muitas histórias e fotos de Scleropages que mataram arraias em aquário, e muitas vezes perdem um olho por levarem uma ferroada.
Arraias podem ser mantidas em grupos. Praticamente não ligam uma pra outra, apesar de ocorrerem eventuais brigas, especialmente entre machos. O único impedimento é o tamanho de um tanque adequado para um grupo, que já é gigantesco para um só exemplar. Ele tem que contar com espaço o bastante para evitar o contato constante entre elas, o que pode resultar em ferimentos pelos ferrões.
Mesmo que se monte um aquário para um só exemplar, é interessante a utilização de um aquário hospital para aclimatação, já que muitas doenças podem chegar ao local, instalar-se, e apenas se manifestar caso algo dê errado, como num momento de stress (mudanças, manutenção, falta de luz).

Manejo da Arraia

A existência do ferrão é um agravante: sempre fique atento no manejo, o veneno é bem desagradável e o ferimento pode causar várias reações desde infecções até a morte em caso de choque anafilático. O ferrão é trocado aproximadamente de 6 em 6 meses, em uma boa parte do tempo é possível acompanhar o crescimento da nova arma.
Alguns criadores utilizam mangueiras de distribuição de ar (lembra dos velhos tempos da bombinha de ar e pedra porosa?) para encapar o ferrão, assim evitando acidentes no manejo. Esta é uma forma que se desenvolveu para se manipular (ou PERTURBAR) o animal com menos riscos, porém o ferrão novo cresce sem que o velho seja solto, então durante um bom período do tempo o animal possui 2 ferrões, o que gera mais trabalho. Como a manutenção exige pouca ou até mesmo nenhuma interação física homem-animal, é mais arriscado encampar o ferrão a cada 6 meses do que deixar o animal em paz, sem contar que é menos estressante.

Alimentação

Alimentam-se facilmente. São carnívoras, na natureza basicamente comem anelídeos, vermes, insetos e peixes. No aquário podem ser alimentadas com pequenos peixes, bolinhas de patê de fígado, minhocas, larvas de tenébrio, zoophobas e camarões de água doce (muito apreciado). Animais recém adquiridos que entraram em processo de anorexia (recusa de alimentos) costumam voltar a comer quando se oferece camarões ou minhocas vivas.
É muito simples acostumar um exemplar a comer na mão: com o animal já estabilizado no aquário, pegue um pedaço de comida palatável (com sabor agradável, que ela goste) e mostre a comida ao peixe, que provavelmente irá atrás. Muito cuidado com essa brincadeira, primeiro pelo perigo do ferrão, depois pela sujeira que é enfiar a mão constantemente no aquário. Depois da alimentação é ideal retirar todos os restos de comida com uma rápida sifonagem.

Reprodução

Apesar de ser difícil a reprodução em cativeiro (mais por causa do tamanho do que por outro motivo) ela é bem documentada e muitos aquaristas americanos, europeus e instituições de pesquisa destes animais conseguem com relativa facilidade. São ovovivíparas (ou vivíparas, já que a primeira expressão está caindo em desuso), atingem a maturidade sexual aos 2 anos, e geram uma prole de até 10 filhotes (na média cerca de 4) por temporada. O macho apresenta o clásper, um par de órgãos sexuais localizado entre a nadadeira anal e o "rabo", semelhantes a dois pênis paralelos, um de cada lado da cauda, muito evidente quando se compara os sexos, e visível inclusive em um animal impúbere.
O grande problema é que não se tem definido os fatores que desencadeiam a reprodução (como o fotoperíodo, a temperatura da água, pH e a variação destes fatores), mas sabe-se que é imprescindivel uma qualidade de água excelente com baixíssimas e estáveis quantidades de nitritos e nitratos. O acasalamento é razoavelmente violento, e não raro a fêmea se machuca com relativa seriedade. Nestes casos é aconselhável cuidados preventivos para que os ferimentos não infeccionem. A gravidez dura cerca de 3 meses.

Para saber mais

Existe um livro da aclamada AQUALOG que classifica todas as raias conhecidas, com pelo menos uma foto colorida além de uma breve descrição da espécie. Ela utiliza o sistema de classificação P (de Potamotrygon, Paratrygon...) e um número sempre na ordem crescente, semelhante à utilizada com os cascudos (gêneros onde essa classificação é comercialmente mais usual). Outra boa fonte para iniciantes (mesmo porque não existem livros voltados para criadores avançados, como existe de outros elasmobranquios como tubarões) é o "Freshwater stingrays: a complete pet owner's manual", ISBN 0-7641-897-2, com o custo aproximado de 7 dólares, que abrange todos os tópicos de interesses para entusiastas.
Uma forma alternativa para se conseguir informações é a utilização de bases de dados como o medline (um google.com que disponibiliza informações sobre artigos científicos), que pode ser acessado gratuitamente de universidades públicas (já que o país paga pelo acesso) ou pode ser assinado por um alto preço, para a busca de referências (autor, revista, data, etc) de artigos científicos (conhecidos tambem como 'papers') publicados em diversas revistas renomadas no meio, alguns inclusive possuem links onde se pode baixar uma cópia imediatamente em formato PDF.
A partir destas informações se utiliza páginas da internet de diversas bibliotecas (como o acervo da USP, www.usp.br/sibi/) para localizar que faculdade possui cada artigo, onde se pode tirar uma cópia. Em geral este processo dá trabalho, os papers são escritos em linguagem muito técnica e para se retirar alguma informação útil para o aquarismo é necessário MUITA pesquisa, leitura e reflexão.

domingo, 2 de novembro de 2008

Reprodução das Arraias

As arraias são peixes fascinantes; as de água doce são originárias da Bacia Amazônica, da Bacia do Prata e dos rios do sistema Orinoco, ou seja, América do Sul. No caso do Brasil, estes peixes localizam-se em maior número no vale médio do Rio Negro no estado do Amazonas, Região Norte. São componentes da antiga classe dos elasmobrânquios sendo que pela taxonomia atual estão inseridas na classe Condrichtyes (do grego chondros = cartilagem, ichthys = peixe), classe esta que ainda inclui os tubarões e as quimeras. Um detalhe curioso mora no fato das arraias, além dos tubarões, figurarem entre os mais primitivos de todos os vertebrados existentes pois há 350 milhões de anos vêm seguindo um rumo solitário na tumultuosa estrada da evolução. Penetrando um pouco mais na anatomia de uma arraia, temos um peixe achatado no sentido dorsoventral com suas barbatanas peitorais expandindo-se e ligando-se à cabeça, gerando formas triangulares, que se assemelham à asas, fato mais notado em arraias de água salgada. Suas nadadeiras são pares, ou seja, atuam como abas móveis que auxiliam na propulsão e na orientação do peixe na água. São dotadas de uma mandíbula móvel e denteada.
Uma variação anatômica que ocorre na arraia jamanta ou peixe-diabo, que pode atingir 5 metros de comprimento, é um par de projeções rígidas que se exteriorizaram formando um tipo de funil, que a auxilia no ato de comer.
Sua cauda tem a forma de chicote, sendo que as arraias-lixas possuem filamentos na base da cauda com um potente veneno que é capaz de matar um homem. No entanto, o que as arraias possuem normalmente nas suas caudas são espinhos que são reforçados por cálcio sendo que estes são renovados de 6 em 6 meses.
As arraias não despertam o interesse dos aquaristas justamente pela sua cauda, mas o que a maioria não sabe é que esta é utilizada primariamente para defesa. Muitos relatos foram feitos por pescadores que ao entrarem em algum rio pisam sobre estes seres, devido ao hábito destes animais estarem constantemente enterrados no fundo dos rios, e por um ato de puro reflexo, introduzem a sua cauda geralmente no tornozelo do pescador, sendo que este sentirá uma dor muito aguda que pode ser seguida de vômito, aumento da freqüência cardíaca e se houver alguma infecção ou sangramento deve ser tratado por um profissional da saúde, sendo que o local da picada deve ser observado atentamente para notar se não há nenhum espinho remanescente.

De acordo com o relato de um pescador, seu irmão pisou em uma arraia em um rio de Goiás e viu que a cauda deste peixe possui uma amplitude de movimento de 360° e que a arraia ao ser pisada move esta cauda muito rapidamente e assim acaba por atingir o tornozelo do pescador, na maioria dos casos, na região posterior, atingindo o tendão. Devido à disposição dos espinhos, a cauda ao entrar no tornozelo rasga os músculos e ao sair continua rasgando. O pescador relatou que “a carne apodrece”. Deste modo, o manuseio com estes animais deve ser de extrema cautela.


Sua pele é formada por escamas em forma de placas; possuem esqueleto totalmente constituído por cartilagem, o que as torna mais leves; suas guelras ou brânquias estão enfileiradas duplamente em número de cinco na face abdominal do corpo; outra abertura existente, além da boca ventral, é chamada espiráculo e aparece como um orifício com forma redonda na face superior do corpo, atrás dos olhos, provido de uma válvula de retenção que se abre e fecha quando o peixe respira. Deste modo o fluxo de água é de cima para baixo, ou seja, entra pelo espiráculo e sai pelas fendas branquiais. Sua visão é pouco aguçada e seus olhos são laterais e desprovidos de pálpebras; os machos possuem um par de clásperes, que são utilizados na cópula.


Outro fato curioso está na presença da chamada válvula espiral do intestino. Este dispositivo visa a um aumento da superfície de absorção dos nutrientes pelos intestinos, visto que estes nos peixes cartilaginosos são muito curtos. Sua audição é pouco desenvolvida sendo que seus ouvidos são órgãos de equilíbrio que contém os canais semicirculares que informam ao peixe as mudanças de direção, aceleração e desaceleração, e ainda se está situado corretamente na água. Não há tímpanos para a captação de ondas sonoras.




Reprodução:

Os dois sexos copulam, o ovo é fecundado dentro da fêmea e em muitas espécies os alevinos nascem vivos. Os clásperes, já citados, são formados nas partes internas das barbatanas pélvicas e como já explicado são utilizados na fertilização. Este órgão é enrijecido com cartilagem e atua como dilatador para dirigir o esperma dentro da abertura da fêmea. Na cópula ele projeta-se para frente, em ereção, e introduz-se na fêmea, e os sulcos existentes ao longo de suas faces internas formam um tubo através do qual flui o esperma. As arraias ejetam os ovos fertilizados em cápsulas que se tornam rígidas com o contato com a água. Meses depois o alevino emerge da cápsula como uma miniatura dos seus genitores. Mas há arraias que são vivíparas, ou seja, produzem alevinos plenamente formados. O embrião se desenvolve no interior do corpo da fêmea, e se alimenta de amplo saco vitelínico. Este tipo de gestação leva 3 meses, sendo que os neonatos ficam de 4 a 5 dias sob a fêmea. Nas arraias vivíparas, um fato curioso ocorre, pois os alevinos possuem os espinhos ou farpas das suas caudas metidos em uma bainha, impedindo que ocorra algum dano à mãe durante o parto.



Arraias Elétricas:

Algumas espécies de arraias possuem a capacidade de emitir choques elétricos. Os órgãos elétricos situam-se nas asas, com inervação oriunda do cérebro, sendo que estes órgãos são formados a partir de fibras musculares modificadas.Sua composição é de uma série de eletroplacas que são células em forma de disco, sendo que cada uma está encerrada em um compartimento de tecido conjuntivo, com nervos de um lado e irrigação sangüínea do outro, sendo que é esta irrigação que libera a descarga elétrica que é gerada por uma reação química.
As arraias-torpedos, que são as que possuem os maiores e mais potentes desses órgãos elétricos. Uma arraia deste tipo pode possuir até 1.050 eletroplacas em cada lado do corpo e pode emanar uma descarga de 220 volts, que vai do ventre para o dorso, estando o lado vascularizado localizado na parte superior.A partir de agora, serei mais específico sobre os cuidados para com este peixe em aquários.



Aquário:

As arraias são peixes que permanecem a maior parte do tempo no fundo do aquário; tendo em vista este fato, o aquário ideal deve ter uma largura avantajada com uma altura de 50 cm. Não há um tamanho padrão, mas muitas pessoas afirmam que o tamanho mínimo deve ser de 250 litros (1,00 X 50 X 50 cm). O que é obrigatório é que haja um bom espaço físico no fundo para que o peixe possa nadar ativamente e descansar.

Substrato:

Existe uma discussão sobre o substrato ideal para se inserir uma arraia. Na minha opinião, não existe tal discussão; o substrato ideal é areia fina rolada, a fim de preservar a integridade física do peixe. Algumas pessoas utilizam cascalho fino e pequeno, mas se você fosse uma arraia, gostaria de se enterrar em um monte de pedras, mesmo que estas fossem pequenas?A arraia é um peixe que gosta de se enterrar; este hábito existe pois na vida selvagem ela vasculha o fundo dos rios atrás de pequenos moluscos e crustáceos para se alimentar. Portanto, utilize areia. Se você acredita que a areia não abriga bactérias que são úteis ao aquário e que o cascalho possui esta capacidade, invista em um filtro de maior capacidade para compensar esta “perda”.
Se quiser acrescentar algo dentro do aquário para ornamentação, insira algumas plantas superficiais.

Filtragem:

A filtragem é um dos itens mais importantes para o seu aquário. Você pode utilizar qualquer tipo de filtro, com exceção para os filtros biológicos de fundo (FBF) pois a areia obstruirá a passagem de água pelos furos das placas.
O que recomendo é um filtro externo eficiente com uma área biológica elevada; se possível adicione no interior do filtro bioball ou cerâmica tendo em vista um aumento da área biológica, além de carvão ativado para colaborar na neutralização de substâncias nocivas aos peixes, sendo que este deve ser trocado mensalmente.
Uma outra opção que é muito eficiente mas que requer um pouco mais de trabalho e dinheiro é uma caixa de circulação. Além de possuir uma velocidade mais alta de filtragem, você decide a quantidade de bioball ou cerâmica, de acordo com a sua necessidade.



Iluminação:

Infelizmente a maioria das pessoas utiliza lâmpadas fluorescentes, tipo luz do dia na iluminação de seus aquários. Este tipo de lâmpada não é aconselhável por 3 motivos:
1.) ela é muito forte, o que atrapalha a visão do peixe;
2.) não estimula a proliferação de bactérias úteis ao aquário;
3.) não destaca as cores naturais do peixe.
Recentemente, montei um aquário e coloquei um Oscar (Astronotus Ocellatus) de 1 ano de idade para povoá-lo. Depois da montagem da calha resolvi fazer um teste: coloquei uma lâmpada florescente comum do tipo luz do dia; depois inseri uma lâmpada Aquaglo, própria para aquários. A tonalidade das cores do peixe com esta lâmpada é incrível; com a lâmpada luz do dia o peixe fica apagado e opaco, então utilize qualquer lâmpada, desde que esta seja própria para aquários. Há vários tipos como Day Max, Tri-Luz, etc...

Temperatura:

A temperatura ideal é de 25°C podendo variar de 24 a 27°C. Para manter esta temperatura em dias mais frios você pode utilizar um aquecedor ou um termostato, mas certifique-se de protegê-los pois sua arraia pode vir a se queimar.

Oxigênio:

Tendo em mente que a arraia possui um potencial de crescimento elevado, você terá que possuir uma oxigenação da água muito eficaz pois um peixe grande demanda uma quantidade elevada de oxigênio.
Esta oxigenação não é suprida apenas pelo filtro externo ou pela caixa de circulação, então coloque uma bomba submersa apenas para circulação e oxigenação de água.
Meu Oscar sofreu muito quando sua bomba submersa queimou ficando o aquário dependente apenas do filtro externo. Meu peixe ficava no fundo, parado e apático, fatos que não foram mais observados com a introdução de uma nova bomba.

Água:

Devido ao grande porte de uma arraia e da sua alimentação quase que exclusivamente protéica (explicada mais adiante), as trocas de água devem ser constantes pois na constituição das proteínas está o grupo amino (-NH2) e este, metabolizado, pode vir a tornar-se NH3 (Amônia), NO3 (Nitrato), NO2 (Nitrito), todos tóxicos e letais ao peixe.
Uma arraia que habita um aquário com água poluída com nitrato (NO3), por exemplo, terá sua parte ventral avermelhada, além de não se alimentar e se mover.
Uma troca eficiente de 15 a 20% do volume de água do aquário a cada semana, além da limpeza mensal do sistema de filtragem, contribui para um nível de poluentes próximo de zero, lembrando ainda que estes poluentes encontram-se nas fezes do peixe.
Outro fator de preocupação é a intolerância por parte das arraias quanto ao sal. Não adicione sal a água de sua arraia.
O pH deve estar por volta de 6.8, abrigando uma variação de 6 a 7.2, sendo que se for necessária uma mudança de pH, esta deve ser realizada vagarosamente. Um fato interessante é que as arraias, quando nos rios amazônicos, habitam águas ácidas, com pH em torno de 5.5. Creio que se as poucas arraias que habitam os aquários estão situadas em pH próximo de 7.0, há 2 possibilidades: estes peixes aclimataram-se e adaptaram-se neste pH ou as arraias de pH 7.0 são criadas em cativeiro.
A dureza da água não é muito importante para estes peixes, mas é aconselhável uma dureza média.

Alimentação:

Para que sua arraia seja saudável você deve variar a sua dieta ao máximo. Os alimentos para este tipo de peixe são na sua maioria vivos, o que requer um cuidado extra.
Você possui várias opções tais como carne crua e raspada, patês, tubifex, minhocas, camarão, larvas de inseto, bloodworms, lembrando que estes alimentos devem chegar ao fundo do aquário, local este onde a arraia se alimenta. Peixes vivos podem ser utilizados como alimentos mas lembre-se que as arraias não são exímias caçadoras e que devemos tentar adequar o tamanho do peixe ao tamanho da boca da arraia.
Além destes alimentos você pode tentar alimentá-las com ração, não em flocos, mas na forma de bolinhas (pellet); o problema é que isto requer perseverança, mas acho completamente viável, visto que acostumei um pintado e um dourado a comer ração.
Um fato interessante é que alguns possuidores de arraias alimentam-nas diretamente na boca. Se você tiver coragem e conseguir realizar isto, será bem mais fácil acostumar seu peixe a comer ração.

Colegas de Aquário:

Se você montar um aquário com outras arraias não terá problemas com exceção de alguns machos que mordem e matam os companheiros (as).
Você pode utilizar peixes dóceis que não venham a incomodá-las; se você gosta de cascudos, tenha cuidado, pois estes peixes possuem o hábito de ficarem sugando as arraias; além disso não coloque peixes pequenos pois a arraia adorará comê-los. Outro tipo de peixe que pode ser colocado junto com as arraias é o Arowanã, que fica a maior parte do tempo na superfície, bastando apenas que haja espaço suficiente para ambos.
Evite ciclídeos e outros peixes agressivos e territorialistas.
Aclimatação e Saúde:

Depois de ter realizado todos estes passos só está faltando o peixe dentro do aquário e, por favor, faça isso cautelosamente. A escolha do peixe e a sua posterior aclimatação são fatores muito importantes.
Na hora de escolher uma arraia, peça para o lojista mostrar todo o peixe, ou seja, veja o ventre e o dorso do peixe na busca de manchas ou machucados, pois os pescadores, na maioria dos casos, machucam as arraias quando na sua captura. Além disso, peça ao lojista para alimentar a arraia, pois as saudáveis comem sem fazer cerimônia demonstrando vitalidade.
Depois disso, você irá soltar seu peixe em seu aquário. O método mais correto deve ser a utilização de um tanque ou aquário extra. Coloque um compressor de ar para oxigenação neste tanque e introduza de movo suave e calmo a água do aquário que a arraia deverá habitar. Faça isto por um período mínimo de 30 minutos.
Se você não dispuser de um tanque extra, faça este procedimento no recipiente em que a arraia foi transportada e se possível coloque este recipiente no interior do aquário que a sua arraia irá habitar, para que haja um equilíbrio de temperatura.
Doenças em arraias são raras, dependendo do modo como a mesma foi capturada, pois se ela foi ferida estará apta a desenvolver doenças mais facilmente. O caso mais comum é a infecção por fungos, mas esta desaparece rapidamente.
Finalizando, se a sua arraia está enterrada no substrato ou está indo de cima para baixo no aquário ou vice-versa ou está sempre na superfície ou está com o ventre sempre encostado no vidro, não se preocupe que a sua arraia está completamente saudável.